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Tecnologia e Informação: informatividade e entropia no contexto dos negócios

Publicado em: 6/8/2019
Atualizado em em: 07/08/2019

Por: Sergio Mari Jr.

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Tecnologias da Informação e da Comunicação

As Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) têm ganhado grande atenção pois são tratadas como responsáveis pela chamada Quarta Revolução Industrial. Vamos relembrar quais foram as três primeiras revoluções industriais:

A Primeira Revolução Industrial foi marcada pela transição da produção manual para a produção mecanizada, possibilitada principalmente pela tecnologia dos motores a vapor. Seu centro geográfico foi a Inglaterra e ocorreu entre os anos de 1750 e 1850.

A Segunda Revolulção Industrial foi caracterizada pela substituição das máquinas a vapor e motores de combustão para a tecnologia da eletricidade. Seu centro geográfico os Estados Unidos e ocorreu por volta dos anos 1850 a 1945 (fim da segunda guerra mundial).

A Terceira Revolução Industrial foi determinada pelo avanço da tecnologia dos computadores, da eletrônica e das telecomunicações. Seu centro geográfico foi principalmente o Japão, mas também teve influências de outros lugares do mundo, como Estados Unidos, Europa e União Soviética/Rússia, principalmente devido à corrida tecnológica e espacial da Guerra Fria. Ocorreu a partir do fim da segunda guerra mundial até o final do Século XX.

O que é a Quarta Revolução Industrial?

A Quarta Revolução Industrial é um fenômeno marcante desse começo do Século XXI. Nela o uso da informação, do conhecimento e da tecnologia tem provocado profundas transformação no modo como produzimos e consumimos bens e serviços.

Uma das características desse momento a substituição de vários modelos de negócios por softwares amplamente distribuídos, com funcionalidades sociais, acessados por meio de dispositivos móveis. Esse tipo de solução tem mudado, por exemplo, o modo como consumimos bens culturais (Netflix, Spotify, YouTube, Amazon Prime...), o modo como nos transportamos (Uber, 99, Cabify...), como usamos serviços financeiros (Bancos digitais e corretoras online) e o modo como nos hospedamos em caso de viagens (Airbnb).

Outra característica dessa revolução é o uso da Inteligência Artificial. Alguns serviços profissionais como a escolha de pauta por editores de jornais, formulação de pareceres jurídicos padronizados por advogados e o diagnóstico e recomendação de tratamento para doenças amplamente conhecidas por parte dos médicos, já têm sido realizado por computadores dotados de inteligência artificial e tudo indica que em pouco tempo várias outras atividades serão impactadas por essa tecnologia.

Também não podemos esquecer da robótica, biotecnologia, carros elétricos e autônomos, casas inteligentes, impressoras 3D, internet das coisas e muitas outras inovações que unem tecnologia e informação e que estão impulsionando essas transformações.

Todas essas transformações irão afetar cada vez mais a atividade dos gestores, que precisarão desenvolver suas habilidades e competências também no campo da tecnologia para manter suas empresas atualizadas competitivas.

A principal característica da Quarta Revolução Industrial é a forte relação entre a tecnologia e a informação. Por isso qualquer profissional deve conhecer bem essa relação. Vamos definir o que é cada uma dessas coisas para entender o modo como elas se relacionam e qual seus impactos na gestão dos negócios.

O que é Tecnologia?

Há várias maneiras de entender o que é uma tecnologia e em cada momento histórico ela é percebida de um modo diferente. Por exemplo, na Primeira Revolução Industrial a tecnologia que se destacava era a máquna à vapor; na Segunda Revolução Industrial a eletriciade e na Terceira Revolução Industrial a eletrônica e a informática.

De acordo com McLuhan (1971), cada tecnologia tem o papel de expandir alguma característica física ou intelectual do ser humano. Cada invento, cada avanço tecnológico produzido pelo homem existe para torná-lo maior, mais forte, mais rápido ou mais potente em alguma coisa.

Por exemplo, o homem inventou a roda (uma tecnologia) para poder andar mais rápido e percorrer maiores distâncias do que seria possível apenas com as próprias pernas; inventou o microfone para que sua voz possa ser ouvida em maiores distâncias e por mais pessoas do que seria possível apenas com as próprias cordas vocais; inventou a escrita para armazenar mais informação e por mais tempo do que seria possível apenas no cérebro de cada indivíduo.

Tecnologia é, portanto, aquilo que criamos para nos tornar mais potentes, expandindo nossos limites.

Na adminitração a compreensão do que é a tecnologia vai na mesma linha. Ao apresentar a Abordagem Contingencial da Adminitração, Chiavenato diz:

Sob um ponto de vista administrativo, a tecnologia é algo que se desenvolve nas organizações por meio de conhecimentos acumulados e desenvolvidos sobre o significado e a execução de tarefas - know-how - e pelas suas manifestações físicas - como máquinas, equipamentos, instalações - constituindo um complexo de técnicas usadas na transformação dos insumos recebidos pela empresa em resultados, isto é, em produtos ou serviços. (CHIAVENATO, 2003, p.518)

Tecnologia é, portanto, aquilo que permite a empresa transformar insumos em produtos e serviços e tecnologias mais aprimoradas expandem seus limites, tornando a empresa mais potente e comptetitiva nessa tarefa. O autor ainda afirma que a tecnologia pode se manifestar de duas maneiras na organização:

A tecnologia pode estar ou não incorporada a bens físicos. A tecnologia incorporada está contida em bens de capital, matérias-primas intermediárias ou componentes etc. (...) A tecnologia não-incorporada encontra-se nas pessoas - como técnicos, peritos, especialistas, engenheiros, pesquisadores - sob formas de conhecimentos intelectuais ou operacionais... (CHIAVENATO, 2003, p.519)

É especilamente no segundo tipo de tecnologia, a não incorporada, que está agindo a Quarta Revolução Industrial. Uma tecnologia muito mais voltada para o domínio da informação e do conhecimento do que dos meios físicos de produção.

A diferença é que, na perspectiva apresentada por Chiavenato, os "conhecimentos intelectuais ou operacionais" eram detidos por pessoas (técnicos, peritos, especialistas...) e, atualmente, eles são detidos e operados por computadores e outros dispositivos tecnológicos.

A tecnologia não-incorporada é, basicamente, informação e conhecimento. Vejamos então o que é a informação e como sua dinâmica pode impactar os negócios de uma empresa.

O que é Informação?

A compreensão do que é informação tem como base as contribuições de Claude E. Shannon e Warren Weave que, no final da década de 1940, fundaram o que hoje conhecemos como Ciência da Informação, que engloba também a Comunicação. Eles definiram a dinâmica da informação como um modelo matemático (PIGNATARI, 2008).

Com isso o conceito de informação pode ser tratado de modo quantitativo. Trata-se, muitas vezes, de quantificar a informação disponível em uma comunicação, um documento, um banco de dados... Ou quanta informação temos à nossa disposição.

A informação está presente apenas naquilo que é novo, diferente, inesperado. Tudo aquilo que é diferente do que já conhecemos e já estamos familiarizados, é informação e tem o potencial de impactar nossa conduta.

Considere e sequência de sinais abaixo:

– – – – 0 – – – – – – – – – – – – – – –

Ela contém pouca informação, pois apresenta apenas dois sinais diferentes e quase todos os sinais são o mesmo, exceto um. Já a sequência a seguir, possui mais informação, pois possui mais sinais diferentes e eles não se repetem com muita frequência:

– $ % – | – * / [ – – } – ] – { – % – @

Porém, para ser compreendida de modo eficiente, toda mensagem precisa de redundância e repetição. As letras do alfabeto e as palavras de um certo idioma, por exemplo, precisam se repetir em todos os textos para que possamos compreendê-los. Um texto interiramente feito com palavras novas ou palavras escritas com símbolos totalmente novos não seriam compreendidos por ninguém.

Redundância é a repetição da mensagem para que sua recepção correta seja mais garantida. A redundância introduz no sistema de comunicação uma certa capacidade de eliminar o ruído e prevenir distorções e enganos na recepção da mensagem. (CHIAVENATO, 2003, p.424)

Porém, no outro extremo, uma mensagem em que tudo é repetido e redundante, também pode se tornar incompreensível ou, pelo menos, desinteressante ao ponto de não chamar nossa atenção e não merecer nosso interesse. 

Por exemplo, a sequência aaaa tem pouca informação e não tem qualquer significado, pois trata-se apenas da repetição (redundância) da mesma letra. Se substituirmos algumas dessas letras por outras: casa, pasamos a ter mais informação e, como conhecemos essas letras e essa palavra, podemos compreender seu significado. Contudo, se substiturmos as letras, por símbolos desconhecidos, vindos de outro afabeto e outro idioma: σπίτι, teríamos ainda mais informação, porém voltamos a não ter qualquer significado. A palavra σπίτι (spíti) significa casa em grego, mas para conhecedores da língua portuguesa, os símbolos são incomuns e a palavra é desconhecida, não gerando qualquer compreensão.

Ou seja, uma mensagem onde tudo é novo tem alta quantidade de informação (ou alta informatividade), porém não pode ser facilmente compreendida, causando pouco efeito. Já uma mensagem onde nada é novo ou tudo é igual, tem baixa quantidade de informação (ou baixa informatividade) e, mesmo que seja recebida com facilidade, não disperta nosso interesse causando pouco ou nenhum efeito.

Dessa forma, trabalhar com informação diz respeito a encontrar a dose certa entre o novo e a redundância. A informação está presente apenas naquilo que é novo, diferente e inesperado, mas a redundância (aquilo que é igual e repetitivo) é necessária para que possamos compreender a mensagem.

Entropia e Negentropia

Uma consequência dessa definição de informação é a compreensão de que cada vez que uma mesma mensagem é repetida ela perde informação. Por exemplo, você já parou para pensar no significado da frase abaixo?

PARALAMAS DO SUCESSO

Essencialmente ela é uma frase de alta informatividade, pois une duas palavras que são bastante diferentes entre si e não são vistas juntas com muita frequência pois pertencem a contextos diferentes. Trata-se de uma combinação inesperada e surpreendente, por isso rica em informação.

Porém, desde 1977 quando uma banda de rock brasileira adotou esse nome, essa frase tem sido repetida exaustivamente em programas de rádio e televisão, ao ponto de nos acostumarmos com ela e pararmos de prestar atenção no que ela de fato significa. A repetição ou redundância dessa mensagem fez com que ela perdesse informatividade ao longo do tempo.

Essa tendência de que uma mensagem perca informação toda vez que é repetida é o que podemos chamar de entropia.

A entropia é a segunda lei da termodinâmica e refere-se à perda de energia em sistemas isolados, levando-os à degradação, à desintegração e ao desaparecimento. A entropia significa que partes do sistema perdem sua integração e comunicação entre si, fazendo com que o sistema se decomponha, perca energia e informação e degenere. (CHIAVENATO, 2003, p.424)

As empresas e organizações precisam lutar contra essa tendência e esse é um esforço de gestão. Se uma empresa faz sempre a mesma coisa e sempre age do mesmo modo, a cada repetição, pelo processo de entropia, ela perde informatividade e chama menos a atenção de seus públicos.

Combater a entropia é uma terefa difícil, que vai contra a natureza das coisas, que demanda muita energia (nos vários sentidos dessa palavra). 

Se a entropia é um processo pelo qual um sistema tende à exaustão, à desorganização, à desintegração e, por fim à morte, para sobreviver o sistema precisa abrir-se e reabastecer-se de energia e de informação para manter a sua estrutura. A esse processo reativo de obtenção de reservas de energia e de informação dá-se o nome de entropia negativa ou negentropia. (CHIAVENATO, 2003, p.424)

Tecnologia da Informação

Se tecnologias são coisas criadas pelo homem e pelas empresas para fazê-los mais potentes e o combate à entropia é um processo necessário para as empresas, mas que é muito difícil e custoso em termos de energia, fica evidente que usar a tecnologia para potencializar o combate à entropia é uma ótima ideia.

À medida que aumenta a informação, diminui a entropia, pois a informação é a base da configuração e dá ordem. A negentropia, portanto, utiliza a informação como meio ou instrumento de ordenação do sistema. A negentropia é o reverso da segunda lei da termodinâmica, ou seja, o suprimento de informação adicional capaz, não apenas de repor as perdas, mas de proporcionar integração e organização no sistema. (CHIAVENATO, 2003, p.424)

Quanto melhor uma empresa consegue gerenciar informação, mais ela consegue combater a entropia e gerar a negentropia. O papel da tecnologia, como sempre, é tornar a empresa mais capaz e mais potente ao realizar essa tarefa.

Referências

CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teroria geral da administração: uma visão abrangente da moderna administração das organizações. 7.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003.

MCLUHAN, Marshall. Os meios de comunicação como extensões do homem. Rio de janeiro: Cultrix, 1971.

PIGNATARI, Décio. Informação. Linguagem. Comunicação. 3.ed. Cotia-SP: Ateliê Editorial, 2008.


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