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Classificação das Mídias

Publicado em: 22/08/2017
Atualizado em em: 22/08/2017

Por: Sergio Mari Jr.

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De tempo em tempo o homem desenvolve tecnologias que, mais tarde, passam a serem utilizadas como meios de comunicação. Os meios de comunicação ou mídias são, portanto, em certo ponto de vista, consequências de determinadas tecnologias.

É interessante notar que há sempre um intervalo entre a criação da tecnologia e o seu uso como meio de comunicação. Também devemos atentar para o fato de que, cada novo meio de comunicação baseado em uma nova tecnologia, acaba por criar novos hábitos e um novo comportamento em seus usuários, chegando a moldar seus modos de vida e de pensar.

Por isso tornou-se comum no campo da comunicação estabelecer uma classificação dos diversos meios de comunicação. Essa classificação das mídias costuma levar em conta tanto sua plataforma tecnológica quanto os hábitos, comportamentos e transformações sociais que elas vieram a gerar.

Mídia impressa

O homem domina a escrita desde 5.000 a.C, porém foi somente com a prensa de tipos móveis, materializada por Gutenberg em 1456, que se tornou possível a disseminação de conhecimentos a grandes velocidades junto a amplos grupos de indivíduos. Por isso a mídia impressa foi a primeira a se desenvolver e a provocar transformações sociais, criando uma cultura midiática própria.

Gutenberg e a prensa de tipos móveis

Ao discutir o perfil cognitivo do receptor dos meios impressos, Santaella (2004) o classifica como o de “leitor contemplativo” e demonstra que a percepção deste, bem como seu comportamento estão intimamente ligados à plataforma material que detém a mensagem.

Ora, o efeito que o texto é capaz de produzir em seus receptores não é independente das formas materiais que o texto suporta. Essas formas materiais e o contexto em que se inserem contribuem largamente para modelar o tipo de legibilidade do texto. Assim, a impressão em papel por meio de tipos móveis trouxe consigo uma maneira específica de ler o texto. (SANTAELLA, 2004, p. 22-23)

Como dito anteriormente há um intervalo entre o advento da tecnologia e seu uso como meio de comunicação de massa. Demorou cerca de um século desde a invenção da prensa de Gutemberg para que a cultura do Jornal impresso se estabelecesse e provocasse transformações culturais.

Desde então as transformações provocadas por essa mídia não param de acontecer. Ao passo em que as tecnologias comunicacionais se desenvolviam, a mídia impressa foi se servindo de seus avanços, melhorando a qualidade da plataforma material (papel, tintas), aumentando a velocidade da impressão e adotando novas linguagens. Como exemplo desta incorporação de novas linguagens possibilitada pelos avanços tecnológicos podemos citar o advento da fotografia, que logo passou a fazer parte da cultura midiática impressa, tornando-se elemento muitas vezes central das narrativas feitas pelos jornais e revistas ilustradas.

Mídia eletrônica

Já no início do século XX, mais precisamente nos anos da 1ª Guerra Mundial, uma nova tecnologia – a transmissão de ondas de rádio –, passa a ser explorada com o objetivo de adquirir vantagens competitivas nos combates.

Após poucas décadas da criação da tecnologia, por volta de 1920 uma nova cultura midiática já se desenvolvia. A narrativa sonora proporcionada por esta nascente mídia rompia uma barreira importante enfrentada pela mídia impressa: o analfabetismo. O rádio democratizou definitivamente a cultura midiática e socializou ainda mais o acesso à informação. Além disso, fortaleceu um papel importante dos meios de comunicação que encontrava limitações nos veículos impressos: o entretenimento.

A partir da segunda metade do século XX outro dispositivo eletrônico baseado na mesma tecnologia, a televisão, se somou ao rádio nesta tarefa de socializar o acesso à informação e promover o entretenimento. Assim, rádio e televisão, juntamente com o telefone (as chamadas mídias eletrônicas), também passaram a representar uma cultura midiática própria, com características e comportamentos de consumo bastante peculiares e distintos em relação à mídia impressa.

Uma cultura midiática urbana, ligada ao ritmo acelerado das grandes cidades e à fragmentação de mensagens dispersas em diferentes aparatos e em diferentes formatos. Embora Santaella (2004) ainda vincule essas caractarísticas ao jornal impresso, fica evidente que o rádio e a televisão são decisivos para a formação dessa cultura midiática urbana. Este receptor é classificado por ela como “leitor movente”.

Esbarrando a todo instante em signos, signos que vêm ao seu encontro, fora e dentro de casa, este leitor aprende a transitar entre linguagens, passando dos objetos aos signos, da imagem ao verbo, do som para a imagem com familiaridade imperceptível. Isso se acentua com o advento da televisão: imagens, ruídos, sons, falas, movimentos e ritmos na tela se confundem e se mesclam com situações vividas. (SANTAELLA, 2004, p. 31)

Mídia digital

Mais recentemente, os avanços tecnológicos acelerados durante a Guerra Fria permitiram o surgimento de outro aparelho eletrônico que viria a se tornar muito popular: o computador. Na verdade, três tecnologias surgidas nesse contexto podem ser interpretadas em conjunto:

  1. O computador, criado entre os anos 1940 e 1960 para o contexto das guerras, definitivamente não nasceu para ser um meio de comunicação. 
  2. A internet, surgida ainda nos anos 1960, também nasceu para fins bélicos e não para ser um novo meio de comunicação de massa.
  3. A World Wid Web, www, ou web, criada em 1990, essa sim para facilitar algum processo de comunicação, mas não em massa, uma vez que seu foco no momento de sua criação era a divulgação de produções científicas.

Da mesma maneira como correu na transição dos meios impressos para os eletrônicos, depois de um pequeno internvalo desde sua criação, a transição para o computador fez surgir uma nova cultura midiática que desenvolveu características e comportamentos de consumo diferentes de mensagens daqueles apresentados em outros meios, demandando assim uma nova classificação. Por tratar as informações de forma matemática, convertendo qualquer conteúdo para o padrão binário, as mídias originárias do computador e da internet passaram a ser chamadas de mídias digitais.

Santaella (2004) classifica o receptor das mídias digitais como “leitor imersivo” e aponta a prontidão sensorial, a não-linearidade e a interatividade como suas principais características. “... um leitor em estado de prontidão, conectando-se entre nós e nexos, num roteiro multilinear, multisequencial e labiríntico que ele próprio ajudou a construir ao interagir com os nós entre palavras, imagens, documentação, música, vídeo etc.” (SANTAELLA, 2004, p. 33).

A tabela abaixo apresenta um resumo da história das tecnologias que posteriormente passaram a ser utilizadas como meio de comunicação:

História das tecnologias midiáticas
Classificação MidiáticaCriação da TecnologiaUso como mídia no sentido social
Mídia impressaGutenberg, 1456Jornal impresso
Séculos XVIII e XIX
Mídia eletrônicaRádio: 1890
TV: 1940
Rádio: Após a 1ª Guerra Mundial
TV: Após a 2ª Guerra Mundial
Mídia digital
Computadores: 1945
Internet: 1960
Web: 1990
Especialmente após o estouro da bolha financeira especulativa em torno das empresas de internet que gerou uma crise econômica no começo dos anos 2000.

A próxima tabela apresenta um resumo das características da cultura midiática surgida a partir das tecnologias citadas:

Culturas e Classificações Midiáticas
Classificação MidiáticaPrincipais MídiasCaracterísticas Culturais
Mídia impressaLivros
Jornais
Revistas
Leitor contemplativo.
Necessidade de pausa ou “separação” do cotidiano por meio do silêncio e concentração.
Recepção linear do conteúdo.
Mídia eletrônicaTelevisão
Cinema
Rádio
Telefone
Leitor movente.
Recepção simultânea com o cotidiano.
Variedades de signos e linguagens.
Mídia digitalComputadores
Internet
Dispositivos móveis
Leitor imersivo.
Estado de prontidão para o contato com as mensagens nos mais diversos formatos.
Leitura não linear (hipertexto).
Interatividade, inclusive com o próprio conteúdo das mensagens.

Referências

SANTAELLA, Lúcia. Navegar no Ciberespaço: o perfil cognitivo do leitor imersivo. São Paulo: Paulus, 2004.


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