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O Conhecimento

Publicado em: 26/02/2015
Atualizado em em: 23/10/2015

Por: Sergio Mari Jr.

Comentários: 4

É possível enumerar vários tipos diferentes de conhecimento, mas podemos nos concentrar nos quatro mais importantes e mais presentes em nossas vidas:

A Pesquisa, inclusive a de mercado, existe para gerar especificamente um desses tipos de conhecimento: o científico. Portanto, para se compreender bem o papel da pesquisa em um contexto mercadológico, é importante compreender bem o que é o conhecimento científico, como ele é gerado e quais suas características. Para isso vamos estudar e comparar os quatro tipos apontados acima.

Conhecimento Popular

É valorativo, pois seu peso e importância varia conforma as emoções envolvidas. É reflexivo, porém de modo limitado, pois se fundamentam no senso comum. É assistemático, não obedecendo qualquer metodologia. É verificável pois tem ligação empírica com os eventos do cotidiano. É falível e inexato pois se refere a percepções pouco fundamentadas.

Conhecimento Filosófico

É valorativo, pois seu peso e importância varia conforme a experiência de quem os formula. É racional, pois é formulado conforme uma lógica racional conhecida. É sistemático pois trata-se de representações lógicas da realidade. É não verificável, pois é impossível realizar qualquer teste empírico que o comprove É infalível e exato, pois não é possível questionar a lógica racional pela qual for formulado.

Portanto, o conhecimento filosófico é caracterizado pelo esforço da razão pura para questionar os problemas humanos e poder discernir entre o certo e o errado, unicamente recorrendo às luzes da própria razão humana. Assim, se o conhecimento científico abrange fatos concretos, positivos, e fenômenos perceptíveis pelos sentidos (...), o objeto de análise da filosofia são ideias, relações conceptuais, exigências lógicas que não são redutíveis a realidades materiais e, por essa razão, não são passíveis de observação sensorial direta ou indireta. (MARCONI; LAKATOS, 2004, p.19)

Conhecimento Religioso

É valorativo, pois seu peso e importância variam de acordo com sua relação com o sagrado. Não é racional, mas sim inspiracional, pois tem origem sobrenatural. É sistemático pois é estruturado como justificação da realidade e muita vezes expresso em livros ou sistemas indexados. É não verificável, ou seja, crer nele é uma atitude de fé. É infalível e exata, pois não é possível questionar sua origem, que normalmente é por revelação divina.

Se o fundamento do conhecimento científico consiste na evidência dos fatos observados (...), na evidência lógica (...), no caso do conhecimento teológico o fiel não se detém nelas à procura de evidência, mas da causa primeira, ou seja, da revelação divina. (MARCONI; LAKATOS, 2004, p.20)

Conhecimento Científico

Não é valorativo, mas sim contingente, ou seja, seu valor está na capacidade de ser verificado. É factual e sempre tem base no real. É sistemático, pois obedece a uma metodologia. É verificável e essa é sua natureza. É falível pois nenhum conhecimento científico é definitivo e podem sempre ser questionados, principalmente a partir de novos conhecimentos. É apenas aproximadamente exato, pois sempre pode ser aprimorado.

A partir dessas características de cada tipo de conhecimento, podemos estabelecer o seguinte quadro:

CIENTÍFICO

POPULAR

FILOSÓFICO

RELIGIOSO

Contingente

Valorativo (emoções)

Valorativo (experiência)

Valorativo (sagrado)

Factual (real)

Reflexivo

Racional

Inspiracional

Sistemático

Assistemático

Sistemático

Sistemático

Verificável
(no fato)

Verificável
(no cotidiano)

Não verificável
(porém lógico)

Não verificável
(ato de fé)

Falível

Falível

Infalível
(em sua lógica)

Infalível (deus)

Aproximadamente exato

Inexato

Exato (lógico)

Exato (deus)

Por sua vez, essas formas de conhecimento podem coexistir na mesma pessoa: um cientista voltado, por exemplo, ao estudo da física, pode ser crente praticante de uma determinada religião, estar filiado a um sistema filosófico e, em muitos aspectos de sua vida cotidiana, agir segundo conhecimentos provenientes do senso comum. (MARCONI; LAKATOS, 2004, p.21)

Leia o texto abaixo para compreender como é gerado o conhecimento científico.

A Coisa funciona mais ou menos assim: primeiro nos deparamos com um fenômeno que desejamos compreender. Pode ser qualquer coisa. Um exemplo simples: como acontece a chuva? Diante do enigma, parte-se para formular uma hipótese. Podemos, por exemplo, imaginar que a chuva está ligada à temperatura da água. Se aquecida, ela vira vapor e sobe. Se resfriada, ela cai de volta no chão. Certo, temos nossa hipótese. E agora? A ciência dita que precisamos colocar essa ideia à prova. Testá-la com experimentos e observações.

Podemos esquentar a água com fogo e notar que, a partir de um determinado momento, ela começa a subir para o ar, na forma de fumaça. E se aprisionarmos esse vapor ascendente num recipiente notaremos que, ao entrar em contato com a superfície mais fria, ele volta a virar líquido. E percebemos que isso acontece também no mundo lá fora, embora em ritmo bem mais lento. Uma poça d’água desaparece sob a ação da luz do Sol e volta a se formar quando água cai do céu em forma de chuva. Grosso modo, a confirmação de nossa hipótese a converte em teoria. Ela não é mais só um exercício racional de adivinhação. Ela é uma explicação concreta que nos permite compreender e até mesmo prever fenômenos.

Essa nossa teoria simples da chuva explica toda a história? Claro que não. Sobre ela outros cientistas teriam de formular outras hipóteses, que explicam como a água pode evaporar mesmo que a poça inteira nunca atinja a temperatura necessária, ou como a água se aglutina em nuvens e o que acontece na atmosfera para fazê-la se liquefazer e, enfim, chover de volta ao chão. Essas hipóteses serão postas à prova e gerarão novas teorias, que tornarão nossa compreensão do fenômeno ainda mais refinada. Mas note que novas teorias não substituem as antigas. Elas aprofundam o entendimento, sem anular as conclusões obtidas antes.

É a tal história do Isaac Newton, que ao formular as bases da física moderna se disse “sobre os ombros de gigantes”. Ele construiu sua obra sobre alicerces sólidos. A ciência é um muro de tijolos. Novos tijolos são constantemente colocados no muro. Mas os antigos raras vezes são substituídos. No mais das vezes, eles continuam formando a parede, que fica cada vez mais alta, permitindo que enxerguemos cada vez mais longe.

Por isso é de uma desonestidade intelectual profunda acusar a evolução pela seleção natural de ser “apenas uma teoria”. Em ciência, uma teoria é o máximo que uma ideia pode chegar a ser. E ela atinge esse ponto só depois que foi corroborada por observações e experimentos. Só depois que ela se mostra a melhor explicação possível para um certo conjunto de dados.

NOGUEIRA, Salvador. Cinco provas da evolução das espécies. 26 de mai. 2014. Disponível em: . Acesso em: 26 mai. 2014

Referências

GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 3.ed. São Paulo: Atlas, 1991.

MARCONI; LAKATOS. Metodologia Científica. 4.ed. São Paulo: Atlas, 2004.


Comentários

José Herlander escreveu:
12/04/2017 às 07:34

GOSTEI!

simoes de oliveira escreveu:
01/05/2017 às 07:34

Gostei da aula, vou reler para aprofundar.

Vitor da Silva rosa escreveu:
07/05/2017 às 22:36

Excelente me ajudou muito.

abene escreveu:
13/05/2017 às 17:55

gostei , me ajudou demais

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