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Perfil Cognitivo do Leitor Imersivo

Publicado em: 23/10/2015
Atualizado em em: 08/04/2016

Por: Sergio Mari Jr.

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Imersão

Lucia Santaella (2004) buscou mapear algumas características do leitor de mídia dos tempos atuais. Ela identificou ao longo da história três perfis cognitivos diferentes de leitores: o leitor contemplativo, o leitor movente e o leitor imersivo.

O Leitor Contemplativo

O primeiro formato de mídia de massa explorado pelo homem foi o texto em papel impresso, especialmente o livro. Assim o homem passou a adotar hábitos muito específicos para a apreensão de novas informações. A leitura do texto é caracterizada pela pausa, ou seja, o indivíduo precisa parar para se concentrar fazer sua leitura. É uma leitura linear, que precisa obedecer a uma sequência pré estabelecida pelas páginas.

Este tipo de leitura nasce da relação íntima entre o leitor e o livro, leitura do manuseio, da intimidade, em retiro voluntário, num espaço retirado e privado, que tem na biblioteca seu lugar de recolhimento, pois o espaço de leitura deve ser separado dos lugares de um divertimento mais mundano. (SANTAELLA, 2004, p. 23)

Lucia Santaella chamou, então, este tipo de comportamento de consumo de mídia de “leitor contemplativo” ou “leitor meditativo”. Os hábitos de consumo de informação ligados à leitura do livro carregam estas características.

Esse leitor não sofre, não é acossado pelas urgências do tempo. Um leitor que contempla, que medita. Entre os sentidos, a visão reina soberana, complementada pelo sentido interior da imaginação. (SANTAELLA, 2004, p.24)

O Leitor Movente

Mais tarde, com a consolidação do jornal impresso e com a formação das grandes cidades e a migração das populações para os centros urbanos, o comportamento do homem para a apreensão de novas informações sofreu algumas alterações. A agitação da cidade, a velocidade com que novas notícias são geradas provocam mudanças em nossos hábitos de consumo midiático.

Aparece assim, com o jornal, o leitor fugaz, novidadeiro, de memória curta, mais ágil. Um leitor que precisa esquecer, pelo excesso de estímulos, e na falta de tempo para retê-los. Um leitor de fragmentos, leitor de tiras de jornal e fatias de realidade. (SANTAELLA, 2004, p.29)

Os meios de comunicação de massa do século XIX são especialmente decisivos na formação deste comportamento. Jornal, televisão e rádio nos levaram a uma relação com a mídia completamente diferente daquela que experimentávamos com o livro.

Esbarrando a todo instante em signos, signos que vêm ao seu encontro, fora e dentro de casa, este leitor aprende a transitar entre linguagens, passando dos objetos aos signos, da imagem ao verbo, do som para a imagem com familiaridade imperceptível. Isso se acentua com o advento da televisão: imagens, ruídos, sons, falas, movimentos e ritmos na tela se confundem e se mesclam com situações vividas. (SANTAELLA, 2004, p. 31)

O Leitor Imersivo

Por fim, com o ápice da Era da Informação, o homem passa a experimentar um novo tipo de relação com os meios de comunicação. Mais recentemente, fruto da Guerra Fria e de novos avanços tecnológicos, outro aparelho eletrônico passou a ser explorado como meio de comunicação: o computador. Principalmente após a popularização da internet no início dos anos 1990, o computador se consolidou como um meio de comunicação de massa e desenvolveu características e comportamentos de consumo diferentes daqueles apresentados em outros meios, demandando assim uma nova classificação.

Este novo perfil que desenvolvemos para o consumo das camadas mídias digitais é chamado por Santaella (2004) de “leitor imersivo”. Suas principais características são a prontidão sensorial, a não-linearidade e a interatividade.

... um leitor em estado de prontidão, conectando-se entre nós e nexos, num roteiro multilinear, multisequencial e labiríntico que ele próprio ajudou a construir ao interagir com os nós entre palavras, imagens, documentação, música, vídeo etc.” (SANTAELLA, 2004, p. 33).

Prontidão sensorial

Significa que, para acessarmos adequadamente as informações que nos chegam pelas mídias atuais, é necessários envolver todos os nossos sentidos de uma forma mais engajada do que anteriormente. Nosso corpo todo passa a fazer parte do processo de consumo de informações.

Não-linearidade

Se refere ao rompimento total com o padrão do livro, que organiza as informações em ordem cronológica, de forma que haja apenas um sentido pré estabelecido para a leitura. Nas novas mídias, cada leitor monta a seqüencia das informações da forma que desejar, reunindo textos, fotos, áudio e vídeo para a formação de uma mensagem quase que individual.

Interatividade

É a característica que nos permite interferir ativamente na comunicação. Os novos meios, como a internet, permite que o leitor participe do processo de geração de conteúdo e seja personagem fundamental na criação e na transmissão das mensagens.

Leitor Ubíquo

Mais recentemente Lucia Santaella e Cleomar Rocha acançaram nessa discussão propondo um quarto tipo de leitor, o Leitor Ubíquo (SANTAELLA, 2013) próprio do momento mais atual da tecnologia e da internet permeado por dispositivos móveis e com uma enormidade de aparelhos conectados. Ao lidar com vários aparelhos conectados, mesmo que sua finalidade própria não seja a comunicação ou a disseminação de conteúdos, seu usuário se depara com mensagens, mesmo que fragmentadas, e se põe a interagir com elas.

O Leitor Ubíquo é aquele leitor que está o tempo inteiro transitando em informação enquanto ele se move. É o que eu chamo de hipermobilidade. A hipermobilidade se dá porque nós somos móveis, porque nosso corpo é móvel, ele se locomove no mundo, e ao mesmo tempo nós estamos nos movimentando na informação que vem pela rede. (SANTALLA, 2013)

Referência

SANTAELLA, Lucia. Navegar no Ciberespaço. São Paulo: Paulus, 2004.

SANTAELLA, Lucia. SIIMI 2012 Palestra com Lúcia Santaella (Pub. em 22 jan. 2013). Disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=NOLkoHluIxk> (175). Acesso em: 08 abr. 2016.


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