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Pensamento, planejamento e gestão estratégica

Publicado em: 31/07/2017
Atualizado em em: 05/03/2018

Por: Sergio Mari Jr.

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O conceito de estratégia é bastante complexo, a ponto de, dependendo do contexto, ter significados diferentes. O objetivo desta aula é fazer a distinção entre Pensamento, Planejamento e Gestão da estratégia.

Pensamento Estratégico

Para se elaborar estratégias, exige-se o indivíduo certas habilidades e competências. Quando falamos de pensamento estratégico, estamos falando dessas habilidades e da pessoalidade do estrategista. Diz respeito ao esforço e às capacidades individuais de quem formula as estratégias.

É a postura do executivo voltada para a otimização interativa da empresa com o ambiente em tempo real. (OLIVEIRA, 1999)

Por estar relacionados a habilidades e competências individuais, o pensamento estratégico pode ser desenvolvido por cada pessoa, tornando-se mais aprimorado conforme aprendemos mais sobre o assunto. Essa habilidade pode variar de pessoa para pessoa de acordo com o arrojo, a ousadia, a capacidade de assumir riscos, a visão de mundo e, até mesmo, questões emocionais de cada estrategista.

Nos primeiros estágios do desenvolvimento desta habilidade, o pensamento estratégico costuma dizer respeito aos recursos que já temos a nossa disposição no momento. É a chamada Análise Estática. Conforma a habilidade é desenvolvida passamos a levar em conta também os recursos que podem vir a ser gerados em decorrência de uma determinada estratégia, o que chamamos de Análise Dinâmica.

Cada um desses dois tipos de análise, estática e dinâmica, pode ser vividido em dois estágios do desenvolvimento da habilidade de pensar estrategicamente, conforme o quadro abaixo:

Análise dinâmica

4: Criação do futuro

Estratégia = fazer o futuro acontecer.

3: Adequação ao ambiente

Estratégia = reagir às mudanças externas.

Análise estática

2: Adequação ao futuro

Estratégia = prever o futuro e preparar-se para ele.

1: Adequação ao planejamento financeiro

Estratégia = adequar-se aos recursos atuais.

Na primeira fase, a preocupação do estrategista se limita a adequar a atuação da empresa aos recursos existentes atualmente. Não costumamos pensar que isso é estratégia, mas “não gastar mais do que se ganha” já é estratégico. Essa costuma ser a principal dificuldade de muitas empresas e também da vida pessoal de muitos de nós. Sem cumprir esse pré-requisito mas nem uma atitude estratégica pode ser tomada e a empresa fica impedida de inovar ou de assumir novos riscos.

Estando seguro sobre sua adequação ao orçamento, o estrategista pode então, na segunda fase, pensar em utilizar esses recurso de uma maneira diferente da atual. Aqui ele já começa a prever o futuro e passa a destinar mais recursos para as áreas que poderão contribuir mais para seus objetivos.

Na terceira fase, o pensamento estratégico entra em sua etapa dinâmica. Isso significa que ele deixa de se preocupar unicamente com os recursos já existentes e passa também a contar com os fatores vindos do ambiente externo. O estrategista passa a se preocupar em reagir às mudanças externas, buscando aproveitar as oportunidades e evitar possíveis ameaças.

Por fim, a quarta fase é aquela em que o pensamento estratégico encontra sua mais ampla possibilidade, a de criação de um novo futuro. Em uma combinação de ousadia, capacidade de assumir riscos e também de muita responsabilidade e conhecimento do ambiente, o estrategista pode criar soluções como produtos e serviços capazes de criar novos mercados, novos hábitos, e assim se valer de um novo futuro.

Planejamento Estratégico

Costumamos compreender a ideia de planejamento estratégico como um esforço para se prever o futuro e tomar decisões. Mas, como vimos, isso está mais associado à ideia de pensamento estratégico. O planejamento está muito mais ligado aos esforços de formalização do que da própria concepção ou criação das estratégias.

Planejamento é um procedimento formal para produzir um resultado articulado, na forma de um sistema integrado de decisões. (MINTZBERG; et al, 2004)

Planejamento estratégico é a ação de se "colocar no papel" as estratégias que foram pensadas, para que elas possam ser conhecidas por todas as pessoas interessadas. Na prática é uma metodologia gerencial, um modo de trabalho do estrategista para conseguir colocar suas ideias em prática.

É uma técnica administrativa que procura ordenar as ideias das pessoas, de forma que se possa criar uma visão do caminho que se deve seguir (estratégia). Depois de ordenar as ideias, são ordenadas as ações, que é a implementação do plano estratégico, para que, sem desperdício de esforços, caminhe na direção pretendida. (ALMEIDA, 2001)

Gestão ou Administração Estratégica

A GESTÃO ou ADMINISTRAÇÃO estratégica, por sua vez, é a estratégia posta em prática. A estratégia nasce do pensamento e da individualidade do estrategista, se materializa na forma de um planejamento estratégico e é acompanhada e conduzida pelo estrategista para que as respostas às mudanças no ambiente sejam dadas em tempo real.

É uma administração do futuro que, de forma estruturada, sistêmica e intuitiva, consolida um conjunto de princípios, normas e funções para alavancar harmoniosamente o processo de planejamento da situação futura desejada da empresa como um todo e seu posterior controle perante os fatores ambientais, bem como a organização e direção dos recursos empresariais de forma otimizada com a realidade ambiental, com a maximização das relações interpessoais. (OLIVEIRA, 1999)

O esforço de gestão estratégica também diz respeito ao modo que cada organização escolhe para lidar com a estratégia. Toda empresa precisa estabelecer algum processo para a seleção ou uma espécie de filtro para determinar, entre todas as propostas estratégicas que surgem para um determinado negócio, qual será posta em prática e qual será abandonada.

É considerada como o processo de escolha e implementação das estratégias (BULGACOV et al, 2007)

Praticamente existem três maneiras diferentes pelas quais uma organização costuma criar e selecionar novas estratégicas. Essas maneiras são conhecidas como Escolas ou Paradigmas da Administração Estratégica. Basicamente a organização, devido à sua cultura e à sua história, acaba por vivenciar uma dessas escolas na prática.

ESCOLA RACIONAL

Metáfora: Máquina

Codifica separadamente pensamento e ação. A hipótese tácita subjacente é que existe uma solução melhor, e que a tarefa do estrategista é chegar o mais próximo dela. Depois de decidido o caminho trata-se da questão de ação. (HEIJDEN, K.V.D., 2005)

ESCOLA EVOLUCIONÁRIA

Metáfora: Ecologia

Enfatiza a natureza complexa do comportamento organizacional, além dos limites do pensamento racional. Estratégia é uma perspectiva sobre o comportamento emergente, pela qual uma estratégia vitoriosa somente pode ser articulada em retrospecto. Nesse contexto, a evolução refere-se aos fenômenos das propriedades emergentes de sistemas que possuem uma memória discriminatória e transmissível de estratégias bem-sucedidas. A estratégia nessa escola é um processo de experimentação ao acaso e filtragem daquilo que é mal sucedido. (HEIJDEN, K.V.D., 2005)

ESCOLA PROCESSUAL

Metáfora: Organismo Vivo

Interação de ação com pensamento. Adota uma posição intermediária: embora não seja possível definir estratégias somente através de um processo de pensamento racional, os gestores podem criar processos em organizações que irão torná-las mais flexíveis, adaptáveis, e capazes de aprender com seus erros. (HEIJDEN, K.V.D., 2005)

Referências

ALMEIDA, M.I.R. Manual de Planejamento Estratégico. São Paulo: Atlas, 2001.

BULGACOV, S.; SOUZA, Q.R.; PROHMANN, J.I.P.; COSER, C.; BARANIUK, J. Administração Estratégica: teoria e prática. São Paulo: Atlas, 2007.

HEIDJEN, K.V.D. Planejamento de Cenários: a arte da conversação estratégica. Porto Alegre: Bookman, 2004.

MINTZBERG, H. Ascenção e Queda do Planejamento Estratégico. Porto Alegre: Bookman, 2004.

OLIVEIRA, D.P.R. Excelência na Administração Estratégica: a competitividade para administrar o futuro das empresas. 4.ed. São Paulo: Atlas, 1999.


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