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Brasileiros Hackeiam o Facebook

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Categoria: Fichamento
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Eventos anti Bolsonaro no Facebook

Sou professor e trabalho com Marketing Digital, por isso algumas vezes acontece de alguém vir me perguntar ou me avisar sobre alguma coisa interessante que esteja acontecendo na internet.

Ontem uma pessoa veio me contar: "você viu a onda de eventos de mentira no Facebook contra o Bolsonaro?". Confesso que já tinha notado mas não tinha dado muita importância. Mas foi a segunda pergunta feita por essa pessoa, que também é pesquisadora dos efeitos das novas tecnologias, que literalmente atrasou meu sono: "como podemos classificar esse fenômeno?".

Na hora eu não soube responder, talvez porque eu ainda não estivesse dando muita importância, mas depois fui pra casa pensando no assunto noite adentro.

Acessei o Facebook algumas vezes antes de dormir e notei que realmente esse fenômeno tinha tomado proporções gigantescas. Há várias horas que minha timeline praticamente só me mostra uma coisa: confirmações de interesse de meus amigos em eventos do tipo "alguém ou alguma coisa contra o Bolsonaro". Principalmente se você acessa o Facebook pelo celular e nas primeiras horas do dia as confirmações e interesses por eventos estarão lá.

Eventos anti Bolsonaro no Facebook

Por favor não entenda como uma crítica nem como um elogio pois não estou falando aqui da questão política, mas do uso que fizemos da tecnologia.

O que aconteceu é que nessa disputa eleitoral (mais uma vez extremamente polarizada), um dos lados entendeu e se aproveitou de uma característica de uma tecnologia em favor de seus interesses. E o nome disso é hacker!

Acabamos associando um significado negativo à palavra hacker, mas seu sentido literal é relativamente neutro. Veja o que diz a Wikipedia:

Hacker é o indivíduo que se dedica (...) a conhecer e modificar os aspectos mais internos de dispositivos, programas e redes de computadores. Graças a esses conhecimentos, um hacker frequentemente consegue obter soluções e efeitos extraordinários, que extrapolam os limites do funcionamento "normal" dos sistemas como previstos pelos seus criadores.

E foi exatamente isso que nós brasileiros fizemos com o Facebook nas últimas horas.

Nesse caso específico a proliferação de eventos falsos tem como objetivo divulgar um evento real, que são os protestos contra o candidato do PSL marcados para sábado, 29 de setembro. Mas ao aproveitar determinadas características do programa do Facebook para dar mais visibilidade que o normal a esse evento foi uma ação tipicamente hacker. É o que os nerds chamam de floodar.

Assim como hackers, conhecemos o funcionamento da ferramenta a ponto de perceber que confirmações e demonstrações de interesse em eventos costumam aparecer com frequência em nossa timeline, ou seja, são um tipo de publicação privilegiado pelo algoritmo da rede social. Pensamos também na hipótese da ferramenta não possuir uma "defesa" contra um aumento repentino na quantidade desse tipo de publicação. Podemos chamar isso de vulnerabilidade.

Então, usamos essa vulnerabilidade para provocar "efeitos extraordinários, que extrapolam os limites do funcionamento normal dos sistemas". E conseguimos transformar completamente a timeline de praticamente qualquer usuário brasileiro do Facebook. Basta um ou dois amigos seus demonstrando interesse massivamente nesses eventos para eles invadirem sua timeline. Somos todos Hackers!

Para completar o ciclo falta apenas uma etapa: quando hackers descobrem e exploram uma vulnerabilidade de um sistema, seus desenvolvedores rapidamente promovem mudanças e correções para impedir que tal vulnerabilidade seja explorada novamente.

Então, se a equipe do Zuckerberg fizer mudanças no algoritmo para evitar que nossas timelines sejam inundadas por confirmações e demonstrações de interesse em eventos de mentira, estará comprovado: nós brasileiros hackeamos o Facebook, de novo!

 

Publicado originalmente no LinkedIn


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