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Facebook, Whatsapp e o que podemos aprender com essa fusão sobre o mercado digital

Publicado em: 25/02/2014
Atualizado em em: 06/06/2018

Por: Sergio Mari Jr.

Categoria: Diário de Bordo
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Ok, todo mundo já sabe que o Facebook comprou o Whatsapp por U$ 16 bilhões. Aconteceu há menos de 1 semana e já é notícia velha. E isso é bom. Agora que não é mais notícia fresca é hora de fazer análises e reflexões mais profundas sobre o que ela significa. Particularmente, tenho uma visão conflituosa sobre o mercado digital. Por um lado, é dele que vivo e é nele que consigo o que preciso para pagar minhas contas e crescer financeiramente, acredito e aposto em seu potencial. Por outro lado, posso dizer que, em comparação com certas declarações que vejo por ai, sou bastante cético em relação a ele. Costumo pensar que sou "pé-no-chão". Enxergo o crescimento avassalador do mercado digital, mas também percebo exageros que poderiam distorcer essa visão.

America Online compra Time Warner por U$ 164,7 bilhões

Quando comecei a me interessar por esse mercado, comecei a acompanhar sua dinâmica: quem são os players, o que estão fazendo e como estão pensando. Assim as notícias sobre aquisições e mudanças nas grandes empresas do setor sempre chamaram minha atenção, sendo que a primeira delas foi a aquisição da Time Warner pela America Online (AOL) ocorrida em 2001 pelo valor de U$ 164,7 bilhões. Entendo que esse valor não significa que a compradora tenha o desembolsado integralmente, pois negócios como esse envolvem uma complicada engenharia financeira e transações com ações e participações difíceis de explicar. Mesmo assim ele se tornou um bom parâmetro para o mercado. Na época foi chamado de o maior negócio da história do capitalismo. Além de chamar a atenção pelo valor da transação, a fusão entre essas duas empresas também chamou a atenção por seu significado na história das mídias. A Time Warner era e ainda é uma das empresas mais tradicionais do mercado da comunicação, sendo uma das maiores produtoras e distribuidoras de conteúdo do mundo. Já a AOL era uma novata, um provedor que cresceu bastante durante a Era Especulativa da internet. Quando a novata comprou a tradicional por um valor astronômico, ficou claro que esse mercado tinha mudado. E rápido. Na época eu via esse negócio com bastante entusiasmo. Escrevi bastante a respeito e comentava entre amigos que uma coisa fantástica tinha acontecido e que acreditava que esse era apenas o início de uma nova era do capitalismo e da história das mídias, onde as empresas modernas e digitais tomariam conta de todos os mercados e dominariam todos os setores possíveis. A questão é que isso não se consolidou. Em termos de valores, não aconteceram outros negócios como esse. Com o estouro da bolha da internet a AOL de desvalorizou rapidamente e a Time Warner voltou a ser a marca mais importante do grupo. Então eu continuei acompanhando essas transações mas com outros olhos e com muito mais "pé-no-chão".  Os tempos mudaram e as cifras também. Não me lembro de outro negócio no setor da tecnologia ou da comunicação que tenha se aproximado de U$ 100 bilhões. Mesmo assim, cada uma dessas aquisições revelam para onde o mercado está indo. Lembremo-nos de alguns deles:

Somados os valores dessas operações chegam a U$ 40,57 bilhões, ainda longe do valor do negócio entre AOL e Time. Veja a comparação:

Comparação dos valores dos principais negócios do mercado digital

Google compra Youtube por U$ 1,65 bilhões

Em 2006, por pouco mais de um centésimo do valor do acordo AOL-Time o Google, que já era uma gigante do novo mercado, adquiriu o serviço de compartilhamento de vídeos Youtube, que se tornara muito popular nos últimos meses. Pelo que me lembro esse foi o primeiro grande negócio depois da crise financeira da internet ocorrida no final dos anos 1990. Com um centésimo do valor, esse negócio talvez tenha gerado tanto buzz quando o primeiro. Não pela cifra, mas pelo que ele anunciava. Quando foi adquirido, a operação do Youtube era deficitária, ou seja, era um modelo de negócio que dava prejuízo. O que a empresa conseguia arrecadar com propaganda nem de longe era suficiente para bancar os custos gigantescos de se manter um sistema de armazenamento e distribuição de vídeos pela internet. O recado dado pelo Google quando adquiriu a empresa mesmo sem perspectivas de lucro foi de que ele acreditava que o vídeo seria importante no futuro da internet. Agora, quase 10 anos depois da operação, parece que o retorno começa a aparecer, sendo que o Youtube é a segunda ferramenta de busca mais utilizada do mundo, ficando atrás apenas do sistema de busca do próprio Google.

Google compra divisão de celulares da Motorola por U$ 11,5 bilhões

Em 2011, por pouco mais de um décimo do valor da operação entre AOL e Time, o Google anunciou a aquisição da divisão de celulares da Motorola. Em plena ascensão do mercado de smartphones e de uma acirrada disputa por fatia de mercado entre a Apple com o iPhone e o Google com o Android, a aquisição demonstrou a força da gigante das buscas para marcar sua posição nesse mercado. No começo de 2014, ainda no mês de janeiro, o Google anunciou ter vendido essa mesma empresa por um terço do valor do negócio original, U$ 3 bilhões, para a chinesa Lenovo. Isso mostra que os caminhos para o mercado de telefonia móvel ainda são obscuros e pouco podemos antecipar sobre o futuro desse mercado.

Facebook compra o Instagram por U$ 1 bilhão

Em 2012, mais uma vez por um centésimo do valor do acordo entre AOL e Time, o Facebook, que era a bola da vez no mercado digital, comprou o Instagram, um rede social baseada no compartilhamento de fotos, em um acordo de U$ 1 bilhão. Foi um negócio arriscado para a gigante das redes sociais, uma vez que se realizou às vésperas de seu IPO. Se os investidores julgasses esse como um mal negócio, o impacto no valor das ações do Facebook em sua estreia no mercado de capitais seria bastante significativo. Mesmo assim o CEO do Facebook Mark Zuckerberg julgou que valia a pena correr o risco e anunciou a aquisição antes o IPO. A decisão de Zuckemberg demonstrou que valia a pena correr o risco pois o Facebook acreditava que o compartilhamento de fotos  seria importante para o futuro das redes sociais.

Jeff Bezos compra The Washington Post por U$ 250 milhões

Em 2013, por um quatrocentos avos do valor do acordo entre AOL e Time, o fundador da Amazon.com Jeff Bezos, em um investimento pessoal e não de sua empresa, adquiriu o The Washington Post, um dos jornais diários mais tradicionais dos Estados Unidos, com mais de 130 anos de história. Mais uma vez uma empresa do novo mercado digital compra uma empresa de mídia tradicional, o que torna a transação bastante emblemática. Bezos deixou claro que essa foi uma aquisição pessoal dele, e não da Amazon.com. Os executivos de sua empresa não se envolveram nas negociações e ele mesmo conduziu todo o processo. Em um comunicado aos colaboradores do Post, afirmou que não se envolverá, pelo menos à princípio no dia a dia da empresa e que os executivos atuais serão mantidos. Dois mundos se encontram nessa transação: o impresso e o digital, o tradicional e o moderno. A pesar dos discursos não darem margem para a expectativa por mudanças, é certo que muita coisa deve acontecer nos próximos meses e anos. O know-how de uma empresa pode contribuir muito com a operação da outra. Resta esperar as novidades.

Microsoft compra Nokia por U$ 7,2 bilhões

Ainda em 2013 e ainda por uma fração do negócio entre AOL e Time, duas gigantes da tecnologia anunciaram uma transação com valor total de US$ 7,2 bilhões. Com esse valor a americana Microsoft assumiu o controle da finlandesa Nokia. As duas parecem já ter vivido seus tempos dourados e agora buscam alternativas para continuarem se destacando no mundo da tecnologia. As duas empresas estão atuando em parceria desde fevereiro de 2011, quando a Nokia anunciou que deixaria de utilizar em seus aparelhos o seu sistema operacional próprio - o Symbian - e passaria a utilizar o sistema operacional da Microsoft para celulares, o Windows Phone.

Facebook compra Whatsapp por U$ 16 bilhões

De longe a operação com valor mais alto desde o estouro da bolha especulativa da internet no final dos anos 1990. Mesmo assim seu valor corresponde a um décimo do valor do acordo AOL-Time. Agora, em2014, há apenas alguns, dias o Facebook anunciou a compra do Whatsapp, um aplicativo para troca de mensagens via internet muito popular em telefones celulares. É muito dinheiro. Dependendo da taxa de câmbio o valor em Reais pode ultrapassar os R$ 30 bilhões, valor maior do que o orçamento da cidade do Rio de Janeiro para 2013, que foi de R$ 23,5 bilhões. A mídia noticiou que o valor equivale ao valor total do patrimônio de Mark Zuckemberg. Com o negócio o Facebook sinalizou que aumentar sua presença nos dispositivos móveis está entre suas prioridades. Podemos acreditar que essa é uma boa aposta de futuro, com o acesso à internet migrando com cada vez mais força dos computadores para os smartphones e tablets.

Considerações finais

Fica discrepância de valores no caso AOL - Time Warner em relação aos valores dos negócios realizados após a bolha da internet. Nenhum outro negócio passou muito de 10% do valor do episódio de 2001. Fica evidente também que por traz de cada transação dessa há um recado ao mercado. Por meio dessas fusões percebemos que o digital tem potencial para se juntar às grandes empresas tradicionais de mídia. Percebemos que as grandes empresas de mídia e tecnologia têm seu valor e que a inovação que conseguem oferecer ao mercado é que as tornam interessantes. Percebemos que vídeos, fotos e tecnologia mobile estão entre os principais ingredientes dessas notícias já há muitos anos. Pelo menos é uma história boa de se acompanhar.

 

Post post

Após a montagem desse gráfico outras grandes aquisições continuaram a acontecer. Vou registrá-las aqui para que a comparação seja ainda mais eficiente:


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