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Agrojornal Brasil n.04

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Editorial

“Entrou água no leite”

Mais uma vez a sociedade brasileira ca surpresa e indignada com atos irracionais praticados pela ganância e insensatez humana. A Operação Ouro Branco, feita pela Polícia Federal, que descobriu a fraude ocorrida em cooperativas de leite de Minas Gerais e Goiás – e que detectou a presença de água oxigenada e soda cáustica no produto, demonstra que a estupidez de alguns brasileiros transpõem a linha da razão e se aproxima, de fato, da bestialidade. É um absurdo que, em pleno século 21, integrantes da cadeia produtiva do leite acreditem que a adulteração de um produto pode trazer ganhos “astronômicos” para a atividade. Conseguiram arranhar a imagem do leite brasileiro, e criar um marketing negativo que vai levar um bom tempo para ser esquecido. Ou seja, dessa vez, entrou água no leite, mesmo.

Vale ressaltar que o estrago foi realizado por uma minoria. Mas, quem vive do agronegócio, principalmente da pecuária, sabe que atitudes irresponsáveis – como por exemplo, a não vacinação de um rebanho contra aftosa – pode gerar grandes perdas nanceiras e levar anos para que o seu produto seja aceito novamente no mercado mundial. Já está na hora do produtor rural, representantes da cadeia produtiva, do setor industrial e lideranças governamentais, se conscientizarem de que, no mundo globalizado, vai sobreviver apenas quem é pro ssional, transparente e ecologicamente correto em seus atos. O “jeitinho” brasileiro está com os dias contados.

Além disso, o consumidor quer qualidade e conhecer a procedência do produto. Pesquisa realizada recentemente pela Universidade Estadual de Campinas - Unicamp – e divulgada pela imprensa nacional, aponta que o leite de vaca consumido pelo brasileiro possui defeitos de sabor considerados graves em outros países e seu gosto é tido como “pobre” e “desagradável”.

A pesquisa revela também que, nos Estados Unidos, o julgamento de sabor é feito há mais de cem anos. No Brasil, não há essa prática. Amostras de leite consumidos em países da Europa, nos EUA e no Canadá foram avaliadas e compa- radas com o sabor do produto brasileiro por análises físico-químicas, microbiológicas e sensoriais. Quinze degustadores de leite foram treinados para avaliar os produtos. As dez principais marcas nacionais foram comparadas, e em todas foi constatado algum tipo de “defeito de sabor” - o termo é usado internacionalmente.

Com este pequeno diagnóstico, só nos resta torcermos para que a scalização seja mais e - ciente e elimine os aproveitadores de plantão. Se isto não ocorrer, caremos reféns destes oportunistas. Até quando?

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